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  Reflexões - 5 anos de gastroplastia

29 de Março de 2005. Hoje é meu aniversário. Meu duplo aniversário. Aniversário de nascimento e de cirurgia.  Cinco anos de operado... Puxa vida... Parei para pensar! Quanta coisa mudou. Quanto eu mudei. 

em 1999 com o filho HenriqueEm 1999, quando comecei a pensar na cirurgia, as informações eram raras e eu estava perdido no meio dos problemas. Pesando 300 quilos, hipertenso, pré-diabético, com a perna direita condenada e fumante as esperanças de ver meu filho crescer já haviam se dissipado na depressão.

Depois de muita luta, no dia 29 de Março de 2000, consegui finalmente ser operado pelo SUS em um Hospital Público. Foi destino mesmo eu renascer no mesmo dia, afinal, como foi pelo SUS, tive que aguardar leito na UTI, compra de material e a operação só aconteceu no dia que tudo estava certo, independente da minha vontade. Me lembro que até tive muito medo, pois acreditava numa lenda em que as pessoas sempre morrem perto do dia do aniversário. Hoje sei que isso é verdade – Todo mundo morre entre 6 meses antes e 6 meses depois de seus aniversários. 

Por  “coincidência”, hoje passei de bicicleta na frente do mesmo Hospital e parei alguns minutos. Comecei a lembrar de tudo que passei. De tudo que aprendi e vivi nesses cinco anos. Lembrei-me da promessa de alta em cinco anos. Se nesse tempo eu não engordasse novamente, poderia ser considerado curado. Pois bem, 5 anos se passaram e eu não engordei novamente... Estou curado? Aprendi que não. O fantasma da obesidade ainda me persegue e creio que me acompanhará até o último suspiro. Estou com o peso controlado, mas a genética e mente de obeso ainda conspiram contra mim.  

Emagreci 200 quilos, comprei roupas novas de tamanhos normais, participei duas vezes da Corrida de São Silvestre (ver video) e de outras provas menores, voltei a andar de bicicleta, fazer minha higiene pessoal sozinho, fiz uma plástica e revi meu “desaparecido”, tive outro filho. São tantas conquistas, tantos ganhos que nem me lembro das perdas. Não consigo lembrar de nada negativo que pudesse relacionar diretamente ao fato de ter operado. Alguns problemas novos surgiram e outros continuaram. Dividas foram pagas e outras novas surgiram. Rugas e alguns fios de cabelo branco. Mas a principal mudança foi que eu amadureci. Tive que enfrentar a vida sem o escudo de gordura. Tive que enfrentar meus medos e minhas responsabilidades. Não vou mentir - Não foi fácil. Mas valeu a pena. Valeu cada sacrifício, cada vomito e cada dumping. Amadurecer dói e dá trabalho. Mas sempre vale a pena. 

Da alcunha não me livrei. Mas consegui mudar - De gordo para “exgordo”.

Ganhei saúde e aprendi que não adianta saber o que se  tem que fazer se  não estiver preparado  para fazê-lo . As coisas sempre acontecem quando tem que ser. O que temos é que sonhar e lutar para esse sonho se torne realidade. 

Hoje, cinco anos depois, 200 quilos mais magro, venho aqui  passar essa mensagem, que para muitos pode parecer uma frase tirada de algum livro de auto-ajuda, mas para quem vive na pele uma experiência, aprende que é assim que se chega a algum lugar...

Nunca
desista de seus sonhos.

Beijos do exgordo
Cid Loureiro Penteado Jr.