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Lúcia
Rio de Janeiro - RJ

Data da Cirurgia: 15/02/2000

Médico: PREFERE OMITIR

Hospital São José
Particular

Capella Aberta com Anel


e-mail:
lucia@exgordo.com.br


 

DEPOIMENTO

Porque decidiu operar?
Apenas para ter maior qualidade de vida e experimentar o "fenômeno" de ser magra. Não tinha qualquer comorbidade das que são freqüentemente acometidos os obesos. Gozava de perfeita saúde.

Como foi o seu preparo?
Levei 4 meses fazendo os exames pré-operatórios, fui 2 vezes ao consultório do cirurgião e assisti a uma reunião no Hospital de Ipanema.

Como foi a cirurgia?
Um caos. Um dos grampos se rompeu abaixo do anel, fui levada de volta ao centro cirúrgico, fiz um quadro grave de sepsis, tive todas as mais graves infecções hospitalares, entrei em coma, no qual permaneci 2 meses. Quando acordei estava tetraplégica ( síndrome da imobilidade do paciente crítico?) e traqueostomizada. Fiquei 5 meses no hospital. Estive um ano e meio com um serviço de home care. Cinco meses depois da cirurgia, os médicos desapareceram. Devo ressaltar que, ainda durante a internação, fiquei entubada 1 mês (o correto é não mais de 7 dias), o que causou lesão permanente em minha traquéia. Devido à negligência e à imperícia dos "profissionais" que me atenderam, hoje tenho 2 próteses de silicone dentro da traquéia, sem as quais não posso sobreviver. Apenas um colega (também sou médica) em São Paulo, foi capaz o suficiente para me dar essa solução.

Como está sua vida?
Bom, tenho seqüelas motoras , embora caminhe e tenha voltado ao meu consultório. Tenho parestesia em mãos, braços, pés, pernas e na região ocipital (cabeça). Preciso fazer endoscopias da traquéia periodicamente, e nebulizar algumas vezes ao dia, porque a secreção que se forma devido ao atrito das próteses causa desconforto e dificuldade respiratória.Como precisei voltar a ter aporte protéico, de carboidratos, gorduras e glicose para recuperar massa muscular e caminhar, engordei quase todos os 50 quilos que havia perdido durante os primeiros meses acamada. Ao todo, fiquei um ano sem trabalhar, e quase 10 meses sem poder sair da cama.

Você recomenda a cirurgia?
Não recomendo. A agressão é estúpida e, se formos acompanhar os estudos da Sociedade Inglesa de Medicina, veremos que já está provado que os operados voltam a engordar com o tempo. A questão da obesidade mórbida está ligada à engenharia genética. Pode ser que, algum dia, descubra-se a correção para o "defeito" no gem responsável  por essa "maldição".

Se desejar se corresponder com a Dr. Lúcia, faça-o pelo e-mail lucia@exgordo.com.br

Nota do exgordo:  O incrível é que freqüentemente essas complicações acontecem justamente em pacientes que não tem indicação clássica para a cirurgia, ou seja, poderiam ter procurado outros meios para combater a obesidade. Sempre é bom repetir... a cirurgia não deve ser usada para fins estéticos. O site do exgordo é um espaço democrático, sem fins lucrativos, e tem a obrigação de mostrar casos negativos também, que são minoria sim, mas existem.

Em 1º lugar, não operei por estética. Comecei a engordar aos 4 anos e, ao operar, tinha quase 135 kg (para 1.60m).Em 2° lugar sei , como médica, que acidentes cirúrgicos acontecem. Mas negligência, imperícia, descaso, omissão e falta de caráter são inadmissíveis. Em países sérios, os \"médicos\" que agem assim, vão para a cadeia e perdem seus registros. Em 3º lugar, é preciso pesquisar sobre a estatística de óbitos e sequelados de vários tipos. O número é bastante significativo e nem todos se expõem, por medo, vergonha, incapacidade. Isso sem contar os mortos que, por motivos óbvios, não podem se manifestar. Em 4º lugar, é preciso tirar da cirurgia essa aura de "salvadora da pátria e instrumento perfeito" para a realização do sonho de ser magro. Ela é uma agressão enorme, oferece riscos reais e, em nenhum momento, é a solução para a obesidade. Essa virá da engenharia genética. Mesmo os ex-gordos, tem que manter-se em dieta e atividade física e enfrentar os problemas de carência vitamínica e outros que se seguem à cirurgia. E já está provado e publicado que, após alguns anos, as pessoas voltam a engordar. Acessem a página de operados em Londres e os estudos da sociedade de Medicina do Reino Unido. O que vão ver é assustador. Claro que, para os obesos em risco de vida, a cirurgia pode ser a única saída. Mas há que se ter muito cuidado, principalmente ao escolher a equipe de profissionais que, em um segundo, podem condenar-nos à morte ou à invalidez. Um abraço e boa sorte a todos.

publicado em 27/03/05