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Luly - Luciane Ribeiro A. de Miranda



Nome Completo:
Luciane Ribeiro A. de Miranda
Data de Nascimento: 27/09/70
Cidade: Rio de Janeiro - RJ

Data da Cirurgia: 25/03/03
Peso Anterior: 104,5 kg (IMC = 43)
Peso Atual:  56 (IMC = 23)
Altura : 1,56 m

Médico:  Dr.Jorge Luíz Monteiro
Cidade: Rio de Janeiro - RJ

e-mail: luly@exgordo.com.br

Site:
http://www.luly-gastroplastia.kit.net
Blog:  http://www.lulymiranda.blogger.com.br
 

DEPOIMENTO


Fui uma criança magra, sempre no peso ideal, até os 11 anos de idade, quando desencadeei um processo de ganho de peso. Aos 12 anos era uma pré-adolescente gordinha, que usava trancinhas no cabelo e muito tímida.

A obesidade atrapalhou muito a minha adolescência. Minha timidez, por ser diferente das outras meninas, fez com que eu me afastasse, de certa forma, da vida social na época. Aos 15 anos conheci um orfanato através da minha prima Renata e aos 17, passei a freqüentar o local com assiduidade e a fazer parte da equipe durante os 15 anos seguintes da minha vida. Era professora lá.

Eu me trancava neste lugar, onde me sentia muito bem, muito querida e não sofria preconceito pela minha obesidade. Fui, então, engordando cada vez mais. Meus relacionamentos amorosos eram esporádicos pois eu ainda não havia descoberto a mulher dentro de mim. Isso veio a ocorrer por volta dos 25, 26 anos. Descobri o quanto eu podia ser sensual, o quanto era inteligente, divertida e que, além de tudo, tinha charme. Comecei a me relacionar com vários homens, mas nada exagerado e nada que fosse sério.

Com 26 conheci um rapaz de outra cidade pela Internet e nos apaixonamos de primeira. Ficamos nos relacionando via chat por cerca de 5 meses até resolvermos nos encontrar. Foi maravilhoso! Nesse período iniciei mais um dos meus inúmeros regimes.

Dietas? Conheço todas! Todo obeso conhece. Dieta dos pontos, da sopa, das frutas, dos sucos, da lua, do sol, das estrelas... Tudo que você pode imaginar. Mas nada fez o efeito esperado. Eu chegava a emagrecer. Mas recuperava tudo outra vez em pouco tempo. E lá estava eu, obesa, mais uma vez!

Isso me incomodava. As piadinhas dos outros, os olhares que recriminam, as roupas que nunca ficam bem em você e geralmente nem cabem, o espaço no banco do ônibus ou no carro dos amigos (já reparou que o obeso tem sempre que ir na frente?), as roletas, a praia, cadeiras de bar (aquelas branquinhas de plástico)... essas cadeiras eram um problema! Nunca caí com elas, mas sempre morri de medo que se abrissem e eu caísse na frente de todos.

O mundo não é feito para os obesos. A sociedade não permite que seja assim. Quando muito, fazem algo pelos deficientes físicos. E fazem muito pouco, por sinal! Mas pros obesos, nem pensar. As pessoas que nunca passaram por esse tipo de problema se esquecem que o obeso é um doente e não um "sem vergonha". Sim! É uma doença! Você não deixa de ser um viciado em comida. Como um viciado em drogas. Eu me via assim. Era viciada em comer. Se eu não comesse, eu ficava irritada, me sentia fraca, mal, e acabava por comer o dobro do que comeria se não tivesse me podado. Fora que quando você atinge um determinado peso, por um longo período de tempo, fica quase impossível perder todo o excesso através de uma dieta de baixas calorias. Se você consegue, geralmente recupera tudo outra vez. E não era isso que eu queria para mim.

Em junho do ano 2000, minha mãe desencarnou (faleceu) de Edema Pulmonar. Foi um choque muito grande pra mim, apesar de não demonstrar isso a ninguém e sofrer calada. Afinal de contas, como uma espírita, deveria dar o exemplo e mostrar tudo que eu aprendi ao longo desses anos todos de doutrina (conheci o Espiritismo com 7 anos de idade). Com certeza o Espiritismo me deu consolo e base para conseguir sobreviver sem minha mãe. Mas, descontei na comida.

No início de 2002, fui mandada embora do meu emprego no Orfanato, que trabalhei e dediquei 15 anos da minha vida. Foi de uma forma bruta e injusta. Toda a equipe pedagógica foi mandada embora por falta de verbas (foi o que alegaram, mas sabíamos que havia muito mais por trás disso, como uma "guerrinha de poderes" entre membros da diretoria). Isso acabou comigo. Eu fiquei sem chão. Sem meu segundo lar.

Essa sucessividade de perdas me fez perder a noção. Desandei a comer sem parar. Não saía de casa, somente para ir à Faculdade, e virava noites pendurada na Internet. Atingi o auge do meu peso: 104,5 kg. Esse peso fez um grande efeito sobre o meu corpo já que sou de estatura baixa, tenho 1,56m. Me sentia infeliz, gigante. Todas as roupas ficavam apertadas em mim e caíam mal. Me sentia feia e espaçosa. Estava com um IMC de 43.

Eu já conhecia a Gastroplastia através da televisão. Era meu sonho poder fazer algo parecido. Achava que era super simples e minha vida se resolveria como num passe de mágica. Uma vizinha minha, Monalisa, fez a cirurgia. Eu não sabia. Fiquei uns 3 meses sem vê-la e, quando vi, tomei um susto!! Perguntei logo qual era a dieta que ela havia feito. Ao que ela respondeu sorrindo: "Eu reduzi o estômago!". Meus olhos brilharam! Eu queria saber tudo a respeito. Perguntei tudo e ela, paciente e empolgada, ia me incentivando a seguir pelo mesmo caminho. Até hoje, quando nos cruzamos na rua, ela se emociona ao me ver. Ela está com 4 anos e meio de operada e está magrinha e saudável!

Resolvi procurar na Internet assuntos relacionados. Encontrei alguns médicos. Decidida, marquei consulta com um deles. Adorei! Fui à Reunião mensal, conheci várias pessoas operadas, entrei para uma lista de discussão por e-mails, tirei dúvidas, conversei, procurei outros médicos até encontrar o Dr. Jorge Luíz Monteiro, meu médico. O Dr.Jorge opera por videolaparascopia, a técnica que eu queria. No dia 25 de março eu entrava na sala de cirurgia para me operar por By Pass em Y de Roux (Capella sem anel).

Lembro-me do medo que senti dentro daquela sala gelada e cheia de aparelhos. Mas a equipe estava calma, brincavam entre si, me confortavam e tratavam com carinho. Apaguei. Acordei no CTI pós-operatório, onde fiquei por 5 dias em observação por causa de uma febre e falta de quarto. Descobriram depois que a febre era de uma infecção urinária. Eu me sentia ótima! Não senti nenhuma dor nos cortes ou abdômen. Fui pra casa 8 dias depois.

Fiquei anêmica, tive crises de tosse, garganta doendo por causa do tubo, fiquei muito mal nos 2 primeiros meses. A dieta de líquidos não me incomodou em nada. Eu nem agüentava beber tanto. Eram 2 a 3 dedinhos de líquido de 30 em 30 minutos. Durante 1 mês. Mas eu não sentia fome. Até hoje não sinto. No terceiro mês eu estava recuperada da anemia, sem a tosse, me sentia bem. Voltei às minhas atividades normais. Sentia os quilos se esvaírem como água. Mas só me preocupava com a minha saúde. Não entendia porque certas pessoas ficavam tão bem logo após a operação, sem ter nenhum tipo de doença.

Vomitei muito nesse período e fiz vários exames para descobrir a causa dos vômitos. Estava tudo normal dentro de mim. Eu é que não sabia comer direito. Após esta cirurgia, temos que nos reeducar completamente em relação à alimentação. Temos que aprender a comer saudavelmente, comidas que sejam leves, de fácil digestão. Temos que comer lentamente e mastigando muito bem. Quanto mais pastosa a comida ficar, melhor será para o estômago trabalhar sobre ela. Do contrário, é vômito na certa.

Um ano e seis meses se passaram desde então e muita coisa mudou na minha vida.

Você se acostuma a ser magro. No início as coisas ficam meio confusas na sua cabeça. Você sempre acha que não vai caber naquele espaço pequeno, ou que a roupa vai ficar apertada, ou que a cadeira vai cair... mesmo tendo perdido 48 kg. Mesmo estando vestindo número 40. Mesmo pesando 56 kg. Então, aos poucos, você vai se habituando a caber, a entrar nas roupas, a sentar a vontade pois a cadeira não vai mais cair. Você se habitua com o espelho. Antes é uma guerra! Você passa diante do espelho e volta para olhar outra vez e confirmar que aquela imagem é realmente a sua. Então você faz caras e bocas, mexe nos cabelos, ajeita a roupa e pensa: "Potz! Sou eu mesma! E eu tô linda!"

Seus amigos não te reconhecem. Olham pra você, olham outra vez e mais uma vez. Olham toda hora. Você ri. Vai se acostumando pois até eles se habituarem ao seu "novo eu" será assim. Com seus familiares é assim também. Mesmo os que vivem na mesma casa que você.

Os elogios chegam em abundância. E você nunca se acostuma, sempre se envergonha e se sente lisonjeado. Na rua, você não se sente mais um bicho acuado. A rua é toda sua, você se torna mais espaçoso do que era quando obeso. Você agora tem segurança. A auto-estima está alta. Você pode comprar um pão doce e ir comendo no meio da rua que ninguém te olha com ar reprovador.

Você deixa de ouvir piadas de gordos para ouvir gracejos como: "gata", "linda", etc. Aquele gato que nunca olhou para a sua cara quando você era obesa e ignorava a sua humilde existência agora quer o seu número de telefone. E você pode dizer a ele, de boca cheia, que você tem namorado. E ainda, de quebra, pode ver a cara de decepção do gato! ;o) (Ah, diz que não é engraçado!)

Você se sente normal em todos os aspectos: normal entre a multidão, normal para um exercício físico, normal para comprar roupa em qualquer loja.

E tudo ocorreu SEM passar fome. Foi tudo natural. Você não come porque não quer. Você se adapta. Se sacia com muito pouco. Nunca teria conseguido isso numa dieta normal.

Consigo comer qualquer coisa, só que em quantidade bem menor. Inclusive doces! Nunca tive Dumping. Certa vez

Enfim, estou satisfeita com a operação e recomendo para aqueles que estão com o IMC de 40 para cima. Mas que fique claro uma coisa: isso não é uma brincadeira! É uma mudança RADICAL na sua vida. Pense muito bem antes de fazer e escolha um médico que você realmente goste, inclusive a equipe dele, pois você terá que conviver com eles para o resto de sua vida. Tenha paciência, pesquise bastante e não se apresse. Esse tempo é necessário à você.

E muito sucesso na sua escolha!!