Sempre
fui considerado forte, nunca gordo. Por ser alto a gordura ficava
"camuflada" e nunca deixei de fazer absolutamente nada por causa dos
quilinhos a mais. Aos 14 anos tive uma crise de hipertensão que deixou meus
pais apreensivos com o meu excesso de peso, tentei controlar com dietas
prescritas por endocrinologistas, mas nem sempre elas surtiam efeitos. Já
com 18 anos comecei com os famosos moderadores de apetite. Conseguia
emagrecer, mas sempre recuperava quando deixava "as bolinhas" de lado. Com
28 anos, já casado e pai de um filho me vi atingir os 140 Kg e o corpo
começou a dar sinais de problemas. Descobri hérnia em dois discos da região
lombar que me deixaram sem andar. Tudo me cansava (só não a comida) e pra
piorar a situação ainda fumava mais de um maço de cigarros por dia. Uma
amiga tinha feito a cirurgia e me indicou o médico dela. Fui ao consultório
do Dr. Luiz Moura esperando ouvir que não era candidato a cirurgia, já que
estava acostumado a ser sempre forte, nunca GORDO. Qual não foi a minha
surpresa quando ele me indicou a cirurgia e já me passou um monte de exames.
Sai do consultório do Dr. Luiz Moura com uma pasta cheia de requisições de
exames. Depois do baque inicial, conversei com minha esposa que, apesar do
medo, me apoio prontamente. Comecei a maratona de exames. Costumava dizer
que se o Brasil precisasse de um astronauta eu poderia ir, porque estava com
todos os exames feitos! Participei da reunião com outros candidato a
cirurgia, sessões com psicólogos e fisioterapeutas além das consultas com o
médico e com a nutricionista. Nesse período procurei me informar de tudo
sobre o assunto. Pesquisei na internet, visitei blogs, conversei com
operados. Isso foi muito importante para encarar todo o processo numa boa!
Minha cirurgia foi excelente. Me internei no começo da manhã e fui para a
sala de cirurgias no começo da tarde. Lógico que bate aquele friozinho na
barriga, mas logo, logo estava anestesiado e só me lembro de acordar na sala
de recuperação no outro dia pela manhã. Pouco depois fui para o quarto
caminhando. Ainda no hospital caminhava bastante e fazia os exercícios de
fisioterapia. Tive alta em três dias e tudo seguiu da melhor maneira
possível.
No
primeiro mês segui a dieta dos líquidos sem muitos problemas. Claro que não
e nada agradável ficar tomando "copinhos" de 10 em 10 minutos. Fiquei muito
irritado e entediado, mas nada que seja um sofrimento inominável. Quando
passei pro pastoso tive dificuldades com a mastigação, já que estava
acostumado com a mastigação de GORDO. Cheguei a vomitar algumas vezes e
ficar sem me alimentar. Foi aí que a Fonoaudióloga entrou e me ajudou a
reaprender a mastigar. Passado esse momento tudo transcorreu da melhor
maneira possível e hoje como de tudo, até churrasco! Outro fator
determinante foi o acompanhamento fisioterápico que tive depois de 2 meses
de cirurgia. Consegui obter um grau de condicionamento físico que me ajudou
bastante a recuperação.Hoje me descobri uma outra pessoa... Deixei de vestir
54 para 40/38. Camisa pra mim que era XXXXXL (rsrsrs) agora é P (isso mesmo
meu tamanho agora é P!). Mas fora essas questões mais estéticas tenho outras
realizações: hoje levo uma vida muito mais saudável, deixei de fumar,
escolho melhor os meus alimentos e voltei a praticar atividade física
regularmente. Tudo isso tem um mesmo significado: MELHOR QUALIDADE DE
VIDA.Caso a pessoa se enquadre no perfil seja pelo IMC, ou seja pelas
comorbidades (que foi o meu caso) a cirurgia é mais que recomendada, ela é
necessária! Mas deve-se ter em mente que a cirurgia não é milagre e sim um
meio de conseguir uma reeducação alimentar efetiva que vai possibilitar um
emagrecimento saudável.
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