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A GASTROPLASTIA Não sou médico...sou um operado. Portanto, não estou qualificado para tratar dos aspectos técnicos de uma gastroplastia. Minha intenção com esse site é mostrar o lado humano, baseado em minha experiência pessoal. Caso você queira conhecer os aspectos técnicos, por favor, vá à seção "Links" que lá eu listei alguns sites médicos, que abordam o lado científico da cirurgia.
Simplificando, uma gastroplastia consiste em grampear o estômago de uma
pessoa para que caiba menor quantidade de comida, conseqüentemente,
diminuindo Depois das desastrosas experiências com vários regimes e dietas, cheguei aos 30 anos pesando 300 quilos. Minha primeira consulta com o Gastro foi em meados de Junho de 1999. Após uma rápida análise fui considerado um candidato ideal a fazer a cirurgia, pois meu IMC já era 82 e após alguns exames, fui internado no Hospital das Clinicas de Marilia, para o pré-operatório no dia 02 de Setembro de 1999. Para minha surpresa e total decepção, alguém da equipe colocou-se contra e eu, cabisbaixo, tive alta. Segundo a equipe, eu ainda não estava pronto. Nunca vou poder agradecer suficientemente quem fez isso por mim. Eu realmente não estava pronto e hoje vejo isso com clareza. Abatido, conclui que o jeito era encarar o tratamento proposto. Consultas com Nutricionista, Endocrinologista, Psiquiatra e Psicólogo. A famosa equipe multidisciplinar. A principio encarei o tratamento com desprezo, apenas como um meio de alcançar o meu objetivo final, a operação. Eu tinha a impressão que esses profissionais estavam dispostos a me fazer desistir desse objetivo, pois tudo era muito lento e eu tinha pressa. Como a maioria dos obesos eu tinha uma ansiedade incontrolável e a cada dia que passava, engordava mais e mais. A equipe me mostrou a vital necessidade de eu emagrecer para poder operar, pois, 280 quilos era muito peso e os riscos eram consideravelmente grandes. Mas se eu conseguisse emagrecer, para que operar? Foi com esse espírito que eu comecei o tratamento proposto pela equipe. O endocrinologista me passou algumas fórmulas, minhas velhas conhecidas. O psiquiatra me receitou um calmante e anti-depressivo. A nutricionista uma dieta e a psicóloga uma terapia semanal. Com o passar do tempo minha maneira de pensar foi mudando. Fui percebendo a importância de cada profissional e do seu respectivo tratamento. Emagreci 20 quilos e estacionei. Seis meses de tratamento e em Fevereiro de 2000 eu já havia chegado à conclusão de que agora sim, estava preparado para fazer a cirurgia. Aproveito aqui para fazer uma ressalva e comentar a importância do trabalho de cada profissional envolvido. Se você esta pensando em fazer essa operação, que fique bem consciente de que a cirurgia sozinha não faz milagres. O simples fato de abrirem sua barriga e te grampearem o estômago não vai fazer com que você emagreça. É necessário muito mais e como tudo na vida, depende muito mais de você do que de fatores externos. Portanto, não jogue dinheiro fora e nem arrisque sua vida à toa. Se você realmente chegou à conclusão que a solução para o seu problema é a Cirurgia, não despreze nenhum dos profissionais acima citados. Do trabalho deles também depende o seu sucesso. Sem querer desmerecer a nenhum dos profissionais que trabalharam comigo, quero destacar o trabalho do psicólogo. Conheço algumas pessoas que foram operadas por outras equipes e que dizem que passaram pelo psicólogo apenas uma vez e esse deu o aval positivo, declarando que o paciente realmente encontrava-se pronto para se submeter à cirurgia. Não se trata de ter apenas um laudo. É necessário que você realmente acredite na importância dessa equipe e tenha paciência para seguir todas as recomendações passadas por esses profissionais, cada um em sua área de atuação. Portanto, se o seu psicólogo acredita que você precisa de uma terapia, faça a terapia. Você precisará aprender a viver sem comer exageradamente, precisará aprender a controlar sua ansiedade e sua compulsão. Com o nutricionista você vai aprender a diferenciar os alimentos e com o tempo vai conhecer a tão falada "alimentação equilibrada". Bem, no dia 23 de Março de 2000 eu fui internado novamente. Não vou mentir, estava com medo, mas estava pronto. Realmente o trabalho daquela equipe fez diferença. Eu estava pronto para mudar minha vida para sempre. Pela manhã do dia marcado para a cirurgia, 28 de Março, após uma noite que eu só dormi por ter sido medicado, acordei apavorado. O medo tinha invadido minha alma. Queria fugir, sumir. Finalmente havia chegado o dia. Tinha medo de tudo... da morte, da vida sem comida, da dor... Relatei meu estado de espírito a um dos residentes do Hospital, o Pablo, que sabiamente mandou que um outro residente da psiquiatria viesse conversar comigo. O sorte mais uma vez estava ao meu lado. Não poderia ter encontrado com aquela criatura em momento mais oportuno. Relatei meus medos e ele, após longa conversa, me mostrou 3 opções: Desistir, me dopar ou enfrentar. Desistindo eu voltaria à minha velha vida, e hoje, se estivesse vivo, provavelmente pesaria mais de 300 quilos. Segundo ele, eu poderia ser dopado e dormiria até depois da cirurgia, mas eu perderia uma coisa importantíssima, o sabor da vitória. Hoje eu percebo o quanto isso vale. Como eu também sou brasileiro e não desisto nunca, encarei o medo e segui em frente... |