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OBESIDADE INFANTIL - Genética é Vilã para Obesidade

Saúde - Criança apresenta até 80% de risco de ser obesa se tiver o pai e a mãe obesos; se o casal não for obeso, risco cai para 9%

As causas genéticas têm grande influência em determinar obesidade na criança. O risco de obesidade quando nenhum dos pais é obeso é de apenas 9%. Quando um dos cônjuges é obeso, o índice sobe para 50%. Quando o pai e a mãe são obesos, a criança tem 80% de chances de ser obesa.

O componente genético tem forte peso em características da pessoa, como o metabolismo, gosto alimentar (50% é genético) e até o tamanho da refeição (60% é genético).

A endocrinologista pediátrica Jesselina Haber, docente da Unimar (Universidade de Marília), disse que 98% dos casos de obesidade infantil tem causas exógenas, ou seja, externas. Dentro desse grupo figuram o excesso de alimentação, o sedentarismo e a ansiedade.

Os fatores endógenos - problemas de saúde como hipotireoidismo, excesso de hormônio cortisol e algumas síndromes - representam um mínimo percentual - 2% - dentre as causas.

Estima-se que pelo menos 90% das crianças obesas são ansiosas, número que tende a aumentar devido às tendências da vida moderna.

"Hoje as mães trabalham muito fora, a criança acaba não saindo para a rua porque é perigoso, pode ficar sozinha em casa e ter acesso fácil à comida", disse a endocrinologista infantil.

A obesidade na criança pode trazer complicações a curto prazo. No campo psicológico, pode ocasionar depressão. A criança pode ainda ter complicações no crescimento, problemas na coluna, dislipidemias (colesterol alto) e hipertensão. A criança obesa pára de crescer mais cedo.

A médio prazo, a criança pode se tornar um adolescente com diabetes adquirido. A longo prazo, a obesidade pode ocasionar doenças cardiovasculares (principal causa de morte entre a população), alguns tipos de câncer, infertilidade na mulher (ovário policístico), problemas de vesícula, entre outros.

De forma geral, a criança está obesa quando apresenta IMC (índice de massa corpórea) maior do que 19. O IMC é calculado dividindo o pelo pela altura elevada ao quadrado.

Segundo a endocrinologista, o diagnóstico da obesidade infantil consiste em fazer anamnese (questionário que visa avaliar a história de vida do paciente) para avaliar as causas da doença. "Cada caso deve ser analisado em particular", concluiu.

Tratamento é baseado na reeducação alimentar

A endocrinologista infantil Jesselina Haber disse que o tratamento da obesidade da criança é baseado essencialmente na reeducação alimentar e na prática de exercícios físicos. Adotar uma dieta restritiva sem auxílio de um profissional pode gerar graves conseqüências na saúde da criança, como anemia e alterações no crescimento.

"O ideal é que a criança faça exercícios físicos no dia-a-dia em atividades não-regulamentadas, como brincar. Enquanto está brincando, se esquece de comer."

O tratamento da obesidade infantil implica em uma mudança alimentar e também de postura de toda a família da criança, explicou Jesselina.

"Se a família incutir na cabeça da criança que ela é gorda, ela (criança) não vai tirar mais isso da cabeça. Os pais devem ter um jeito especial de falar."

Segundo Jesselina, algumas atitudes dos pais, como postergar o brincar com videogame, o contato com o computador e controlar horas da televisão, são positivas no tratamento e mesmo na prevenção da obesidade infantil. "Há estudos mostrando que o nível que tira a criança da obesidade é de menos de duas horas de TV por dia."

O uso de medicamentos é indicado em poucos casos, segundo a especialista. "Normalmente, os medicamentos são prescritos quando a criança tem uma ansiedade muito importante. Em alguns casos é necessária a intervenção de um psicólogo ou de um neurologista", concluiu.

LINK ORIGINAL DA NOTÍCIA - Diário de Marilia - 17/10/04