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20/02/2005
- Site TERRA - Sobre a Gastroplastia |
A cirurgia de
obesidade não é uma questão de estética, mas de sobrevivência".
A afirmação é do chefe do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Unicamp,
José Carlos Pareja. Segundo o especialista, a operação é necessária
porque não há tratamento clínico eficaz para portadores de obesidade
mórbida, uma doença crônica que traz complicações sérias - como
diabetes, hipertensão, cardiopatias e colesterol alto - e pode levar a
morte. "Mesmo que o portador mude seus hábitos alimentares, faça
regime e exercícios, ele não consegue emagrecer e manter o peso sem o
auxílio de remédios. O corpo humano tende sempre a voltar para o seu
maior peso", explica.
Para identificar o nível de obesidade, diz Pareja, divide-se o peso do
paciente em quilos pela sua altura ao quadrado, o que resulta no
índice de massa corpórea (IMC). Ele define que são considerados obesos
mórbidos aqueles que têm o IMC acima 40 (ou seja, estão 40 quilos
acima do seu peso ideal), superobesos, os que têm o IMC acima de 50, e
obesos moderados, os que têm o IMC entre 30 a 39,9. "Enquanto uma
pessoa sedentária engorda em média um quilo por ano, o obeso engorda
entre 5 e 6 quilos", destaca.
Presidente da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de
Obesidade, Pareja ressalta que a maioria dos obesos se enquadra no
caso de obesidade mórbida, mas que a cirurgia também é indicada para
obesos moderados que sofram de doenças cardiopulmonares ou de diabetes
graves. "Os superobesos também devem operar, mas precisam antes perder
10% do peso atual para diminuir os riscos da cirurgia", ompleta.
O especialista afirma que os riscos de morte durante as cirurgias -
que diminuem o tamanho do estômago e a capacidade de absorção de
alimentos - variam entre 0.3% e 1,5%, dependendo do caso, e são
menores do que as chances do obeso morrer por complicações causadas
pela gordura.
Estima-se que a taxa de mortalidade entre os obesos é 12 vezes maior
em adultos, entre 25 e 40 anos, quando comparada a indivíduos de peso
normal. "Chega a um ponto em que o doente não dorme mais por causa das
dificuldades respiratórias, não sai mais de casa, fica deprimido, à
margem da sociedade, não anda porque os ossos não agüentam o peso, e
morre, geralmente, por doenças cardiovasculares", afirma Pareja.
Ele contrapõe: "Com a operação o paciente perde cerca de 80% do peso
em excesso, diminui ou elimina seu colesterol, assim como todas as
outras doenças associadas ao coração".
De acordo com o cirurgião, no Brasil há cerca de 1 milhão de obesos,
mas são nos Estados Unidos, com 61% da população adulta e 15% da
infantil obesas, que estão registrados os maiores números de
obesidade. "Só em 2001, mais de 300 mil americanos morreram de
obesidade", aponta.
Segundo o especialista, a obesidade pode ser causada por maus hábitos
alimentares, distúrbios hormonais, metabólicos ou neurológicos, mas em
70% dos casos os fatores genéticos são determinantes no
desenvolvimento da doença. Entre os fatores psicológicos, a principal
causa é a depressão e a perda da auto-estima, casos que ocorrem em 90%
dos obesos mórbidos, e em 25% da população de peso normal.
Para os que necessitam fazer a cirurgia, José Carlos Pareja aconselha
que, antes, avaliem se a clínica ou hospital tem uma equipe
multidisciplinar, de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e
psicólogos. "A obesidade é uma doença que afeta o organismo todo. Se
não for tratada de maneira global, os resultados não serão
satisfatórios", reforça. |
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