Freqüentemente
vemos a mídia chamando a atenção para as mais diversas datas
comemorativas. Dia do Combate ao Câncer, Dia Nacional contra o Fumo,
Dia do Coração. Em 2008 resolvemos fazer um evento, simples, mas
pioneiro, para chamar a atenção da Doença e mais do que isso, levar
esperança à aqueles que sofrem da doença e não tem conhecimento que
há tratamento e maneiras de controlar. Esse evento ira acontecer em
São Paulo, no Parque do Ibirapuera, as 10 Horas da manha. Compareça
e ajude a divulgar.
Considerada hoje como um dos maiores problemas de saúde pública em
todo o mundo, a obesidade mórbida ganha proporções assustadoras e com
isso mobiliza, a cada dia, mais segmentos da sociedade em diferentes
países. Prova disso, é a instituição a partir de 2004 de uma data
especialmente dedicada ao tema no calendário nacional. Trata-se do
próximo dia 11 de outubro, quando o Brasil comemorará oficialmente o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade.
A OPINIÃO DOS ESPECIALISTAS
Para os
cirurgiões bariátricos,
aqueles especializados em técnicas cirúrgicas para
o tratamento da doença, a data tem enorme importância, pois é
preciso que a população como um todo se conscientize quanto à
importância, gravidade e os males causados pela obesidade.
As
conseqüências da obesidade mórbida são muitas. Apenas para
exemplificar, a doença reduz em torno de 20% o tempo de vida do obeso.
Isso significa dizer que, no Brasil onde a idade média do indivíduo é
de 76 anos de idade, um obeso mórbido vive em torno de 15 anos a menos
que uma pessoa com peso normal. “Os problemas não
param por aí, quando não tratada adequadamente, a obesidade
mórbida é uma das doenças que mata um contingente significativo de
pessoas. Um estudo realizado na Suécia por uma década, de 1992 a 2002,
pelo Instituto Nacional de Obesidade da Suécia constatou que o índice
de mortalidade no grupo de obesos que não foi submetido
a cirurgia de estômago foi nove vezes maior
do que no grupo de obesos operados. A cirurgia hoje é um consenso
médico”, ressalta Sizenando Ernesto de
Lima Júnior, coordenador do Núcleo Paulista de Obesidade e
gerente de clínica cirúrgica do Hospital do
Mandaqui.
De
acordo com ele, 83% dos tratamentos para o combate da obesidade
realizados no mundo são as chamadas
gastroplastias verticais com bypass
intestinal com ou sem anel (como a Técnica de
Capella, desenvolvida pelo cirurgião colombiano Rafael
Capella, que reduz o estômago, realiza um
desvio intestinal e utiliza um anel de contenção alimentar).
No
entanto, o especialista alerta que a obesidade deve ser tratada de
forma multidisciplinar, uma vez que apresenta conseqüências de ordem
nutricional, psicológica, comportamental, entre outros aspectos.
O
cirurgião Irineu Rasera Júnior, da Clínica
Bariátrica do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba,
considerado hoje uma referência na área, destaca que a obesidade é uma
doença complexa e que realmente exige cuidados especiais. “A cirurgia
é apenas parte do tratamento do obeso mórbido. A doença pede a atuação
de uma equipe multidisciplinar com acompanhamento antes, durante e
depois do procedimento cirúrgico, devido à sua gravidade e possíveis
conseqüências. A cirurgia de capela é a
que apresenta melhor perda de peso, melhor
estabilidade de peso em longo prazo, com poucas complicações”, reforça.
Rasera
afirma que, embora atualmente exista a possibilidade cirúrgica para o
tratamento da obesidade, o ideal é que as pessoas estejam atentas a
seu peso e adotem hábitos saudáveis para prevenir o aparecimento da
doença. “Trata-se de um processo gradativo e cultural de
conscientização para as conseqüências da doença e as formas de
prevenção. É preciso tratar a obesidade adequadamente, mas também,
informar, conscientizar sobre os riscos e as formas de prevenção. A
criação desta data é grande importância para este trabalho, pois é
recente a definição de obesidade com doença pela OMS –
Organização Mundial de Saúde e o descuido da
população no dia-a-dia ainda é muito grande”, finaliza.
Tipos de
cirurgias:
Cirurgias
restritivas:
reduzem a capacidade de ingestão alimentar – Ex: banda gástrica
ajustável
Disabsortivas:
a quantidade de alimentos ingerida pode ser a mesma de antes da
cirurgia, porém a absorção alimentar é menor, devido ao encurtamento
realizado no intestino – Ex: cirurgia de
scopinaro
Mistas:
técnicas que associam a restrição alimentar com a redução da absorção
– Ex: cirurgia de capela
Números
da obesidade:
-
O
excesso de peso afeta atualmente mais de um bilhão de adultos em
todo o mundo e desse total, pelo menos 300 milhões são clinicamente
obesos
-
Segundo estatísticas, 60% da população americana apresenta o índice
de massa corpórea acima de 32, ou seja, são obesos
leves
-
No Brasil, estima-se que um terço da população adulta apresente
sobrepeso ou obesidade, o que significa dizer que mais de 70 milhões
de brasileiros estão acima do peso normal ou já são
obesos
-
Estatísticas indicam que a obesidade infantil aumentou cinco vezes
nos últimos 20 anos e já atinge cerca de 10% das crianças
brasileiras
-
Segundo dados apresentados no XIV Congresso Internacional de
Pediatria 2004, em Cancun, cerca de 35% da população infantil do
mundo tem problemas de obesidade
-
Somente na capital paulista, os obesos somam 64 mil
pacientes
-
O
crescimento da doença é preocupante. Em 1975, 17% dos homens e 26%
da mulheres apresentavam sobrepesos ou
obesidade. Em 1997, estes números subiram para 38% e 40%
respectivamente (fonte: Abeso –
Associação Brasileira para Estudo da Obesidade)
Calcule seu Índice de Massa Corpórea
(IMC)
A classificação de obesidade
, de acordo com a Organização Mundial de Saúde é feito através
do IMC ( Índice de Massa Corporal ou Corpórea ), que é calculado pela
seguinte fórmula:
IMC = Peso em Kg
Altura x Altura (metro)
Classificação
|
Índice de Massa Corpórea (IMC) |
Baixo peso
|
< 20 |
Normal
|
20 a 24.9 |
|
Sobrepeso |
25 – 29,9 |
|
Obesidade
moderada |
30 – 34,9 |
|
Obesidade severa |
35 – 39,9 |
|
Obesidade
mórbida |
= ou > 40 |
|
Super-obeso |
> 50 |
O IMC foi aceito também pela Sociedade
Internacional de Obesidade, assim como pela Sociedade Brasileira de
Obesidade, como sendo um índice mais próximo do ideal, para
classificar os obesos.
|