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O gordinho cultiva uns quilos a mais,
gostaria de correr, mas não começa porque teme o impacto nas
articulações ou um peripaque cardiorrespiratório. Já que não
corre, mantém os tais quilinhos, e o círculo vicioso permanece:
não corre porque está acima do peso ou está acima do peso porque
não corre?
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Para acabar com o dilema, médicos e
treinadores avisam: Quem está gordinho
e não tem contra-indicação médica pode começar já, desde que o
exercício seja feito com regularidade e na intensidade correta.
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Quase 2 milhões de pessoas morrem
anualmente em todo o mundo, devido à falta de atividade física,
segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde)
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Além de afastá-lo dessa triste
estatística, segundo o fisiologista Rogério Neves, diretor médico
da SportsLab, correr é bom para:
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Circulação:
o sangue circula mais pelo corpo, aumentando a entrada de oxigênio
nos tecidos e otimiza a função dos órgãos.
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Rins:
o aumento da circulação melhora a função do rim, que filtra o
sangue e reduz o número de substâncias tóxicas que circulam pelo
corpo.
Sono:
o organismo aproveita melhor as horas de sono. É nesse momento que
o corpo relaxa e absorve os ganhos fisiológicos do exercício.
Cérebro:
aumentam os níveis de serotonina, neurotransmissor associado à
depressão. Em baixos níveis, o hormônio é associado às alterações
do sono, vontade de comer doce e depressão.
Peso:
uma pessoa de 70 kg queima cerca de 450
calorias a cada hora de corrida.
Glicemia:
as taxas de glicose caem e as células se tornam mais sensíveis à
insulina, o que reduz os níveis de açúcar no sangue.
Ossos:
a corrida estimula a formação de massa óssea ajudando a prevenir
lesões como a osteoporose.
Pressão:
a corrida promove maior elasticidade dos vasos sangüíneos, o que
ajuda a manter a pressão baixa.
Pulmão:
corredores têm menos risco de contrair infecção respiratória, já
que, com a corrida, a função do pulmão é maximizada –
principalmente na porção superior.
Colesterol:
os níveis de LDL (colesterol “ruim”) diminuem.
Estresse:
o hormônio cortisol, liberado quando a pessoa está estressada, é
queimado durante a corrida, diminuindo a carga de estresse.
Coração:
a corrida ajuda a fortalecer e melhorar
a eficiência. Gradativamente o atleta tem capacidade para bombear
mais sangue com menos batimentos cardíacos.
Adepto às doses de uísque, happy hours
e um bate bola com os amigos, o estressado empresário José
Donizetti, 51, acumulava duas úlceras e 90 quilos –para 1,75 m– ao
decidir mudar o estilo de vida, emagrecer e começar a correr. “Ao
ver pessoas correndo no parque percebi que aquele era o esporte
que eu queria para minha vida, mas não tinha idéia do mundo da
corrida. Não sabia da existência de treinadores, assessorias,
provas e achava que maratona era a São Silvestre.”
Ao fazer um check up para iniciar os
treinos o empresário tinha todos os exames alterados. “O médico
perguntou se eu comia graxa”, lembra. O início foi desgastante,
tanto para o corpo, como na vida pessoal. “Ia para USP aos sábados
muito cedo e sofria. Caminhava e trotava e me perguntava o que
estava fazendo ali. Mas, no fundo, o sofrimento tinha gosto de
desafio. Eu queria correr como as outras pessoas, nunca pensei em
desistir. Minha mulher sentiu ciúmes e quis discutir a relação. Eu
disse: ‘arrumei uma amante e o nome dela é corrida’. Após um ano
ela começou a me acompanhar nas provas e hoje treina comigo.”
Treino Longo e estável
O treinamento começa com caminhadas,
depois trotes até que o indivíduo consiga correr sem parar por,
pelo menos, 30 minutos.
“Ninguém consegue correr direto, logo
no início, é melhor caminhar rápido”, explica a explica a
endocrinologista Ellen Simone Paiva, endocrinologista do Citen
(Centro Integrado de Terapia Nutricional).
Isso porque a queima de gordura precisa
de pelo menos 30 minutos de exercício constante, num ritmo de leve
a moderado, sem grandes oscilações da freqüência cardíaca.
“A freqüência cardíaca é muito
individual. A exaustão de um atleta pode não ser igual a de outro.
Com o exame ergométrico, é possível trabalhar na faixa de queima
de gordura e evoluir à medida que o corpo ganha condicionamento”,
diz Sérgio Garcia Stella, professor de educação física e doutor em
obesidade pela Unifesp.
22%
dos casos de doença
cardíaca isquêmica (falta de sangue no coração, que provoca o
enfarte) e entre 10% e 16% dos casos de câncer de mama, câncer de
cólon e diabetes são causados pela falta de exercícios físicos,
segundo a OMS
A veterinária Maira Martins Passos, 28,
que corre desde o ano passado, já queimou dez quilos nos treinos.
Com 1,74 m de altura, ela pesa 97 quilos e quer perder mais 20.
“Eu sentia muito mais dor no joelho quando era sedentária. Hoje
sou capaz até de completar 21 km! Mas meu ortopedista recomendou
que eu corra apenas provas de 10 km, pelo menos enquanto eu não
diminuir o peso”, explica Maira que em julho fez a Corrida do
Inverno do Circuito das Estações Adidas.
“Foi a primeira prova que corri inteira, sem caminhar”, conta.
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