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INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO TRATAMENTO AO PACIENTE OBESO |
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A partir do inicio da vida, é a mãe, ou o seu substituto, que serve de mediador a toda percepção, toda ação, discernimento e conhecimento para o bebê. Desta forma, o que falta a uma criança é compensado e suprido pela mãe. É está quem provê a satisfação de todas as suas necessidades. “O meio ambiente consiste, por assim dizer, em um único individuo, a mãe, e mesmo esse único individuo não é percebido pelo recém-nascido como uma entidade distinta dele mesmo. É simplesmente parte da totalidade de suas necessidades e de suas gratificações (Spitz, 1996). O apoio materno facilita a organização do ego do bebê e como o tempo, o bebê se torna capaz de afirmar sua própria individualidade. É por meio dos cuidados maternos e da alimentação que vai se formando a relação do individuo com o mundo externo (O eu e o outro)”. Na questão psicológica, a etiologia pode estar ligada, segundo Bakwin ( Apud Grunspon, 1998) à 3 fatores que se correspondem: excessivos anseios maternos - aos fatores externos - e a privação emocional da própria mãe. Na maioria dos casos de superproteção, o pai tem papel de menor importância na vida da criança. Outra atitude patológica compreendida por Grunspun (1998) refere-se a atitude de ansiedade que é preocupação constante de que aconteça algo imprevisto em prejuízo do filho. A mãe acaba vigiando constantemente, cuidando para que nada de mal ocorra. Desta forma, a mãe que não consegue compreender e exercer a função materna adequada poderá ser ansiosa, superprotetora com dificuldade de amor real, consistente e poderá estabelecer com sue filho um vínculo simbiótico, que irá ou não se resolver ao longo dos anos. Na obesidade existe uma dificuldade das pessoas em relacionar-se com o mundo externo e todas as situações mais difíceis que surgem, criando um mundo só seu, sendo “protegido” fantasiosamente pela camada de gordura. A criança, adolescente ou adulto buscará na alimentação um preenchimento interno, um sensação de alivio e de plenitude que dificilmente será encontrada. A busca incessante por satisfação de suas necessidades afetivas, acompanhado de prazer, segurança, num primeiro momento e logo depois, um sentimento de culpa, angustia, fracasso que por vezes termina em choro. Todos esses sentimentos e dificuldades, não irão desaparecer “magicamente” após a cirurgia bariátrica, pois se levaram anos para estas dificuldades serem instaladas. A relação do obeso com o alimento é bastante ambivalente, uma mistura de amor e ódio, sucessos e fracassos. Racionalmente identifica-se a patologia, mas seu vínculo com o alimento é mais intenso e acaba por “render-se” a esse prazer-sofrimento. O acompanhamento psicológico (psicoterapia) é essencial, pois seu foco de tratamento ao obeso não cessa na entrevista para indicação cirúrgica. Faz-se necessário um tratamento psicológico de 1 ou 2 anos após a cirurgia, principalmente quanto a adaptação uma nova vida, nova imagem, com os problemas cotidianos que antes não se dava conta, ansiedade de base e perdas. Principalmente a perda (luto) do prazer que a alimentação excessiva lhe trazia. Como lidar com a diminuição da ingestão e introdução de novos alimentos e novas vivencias (relacionamentos sociais, afetivos e profissionais). A descoberta de novos prazeres, um corpo modificado e desejos de uma vida melhor, em sua qualidade. Todas essas mudanças poderão trazer angustia e sentimentos de desamparo, podendo, inclusive, levar à depressão pela dificuldade de adaptação, não conseguindo suportar e lidar com tantas mudanças sem auxilio profissional.
NOEMI PERES
HONORATO |