Saiba tudo
sobre a cirurgia do estômago
Quando uma pessoa se submete à gastroplastia, a redução do órgão é
drástica. Com menos espaço para acomodar os alimentos, é possível diminuir
até 40% do peso corporal da pessoa. O número é de encher os olhos de
qualquer pessoa que passa a vida lutando contra a balança e experimentando
infinitos regimes de fome - que normalmente só servem para detonar o corpo
(graças ao efeito sanfona), o estado emocional e principalmente a saúde.
Antes que esse tipo de cirurgia desperte o interesse até mesmo nas
mulheres que usam manequim 48, mas sonham com o 42, o cirurgião Thomas
Szegö, de São Paulo, responsável pela cirurgia da personagem da nossa
matéria, Sueli Rocabado, alerta: "Qualquer das técnicas utilizadas
(atualmente são três: Restritiva, Malabsortiva e tipo Capella), são
indicadas somente para quem apresenta obesidade mórbida, ou seja, cujo
índice de massa corpórea (IMC) for igual ou superior a 40 e que já tenha
tentado outros tratamentos clínicos, com acompanhamento médico, sem
resultados eficazes. A cirurgia também é compatível para pessoas que
apresentam IMC acima de 35 associado a doenças decorrentes do excesso de
peso. "Assim como todo o tipo de cirurgia, a redução do estômago envolve
riscos. Os mais comuns são as complicações respiratórias ou circulatórias
provocadas pela anestesia geral, a possibilidade de algum vazamento de
secreções digestivas e a má cicatrização de algum ponto", diz o cirurgião
Arthur Garrido Júnior, presidente da Federação Internacional de Cirurgia
da Obesidade e um dos primeiros a fazer esse tipo de operação no Brasil.
Segundo o especialista, mesmo os riscos sendo pequenos (as complicações
que prolongam o tempo de internação são apenas 1% dos casos), eles
precisam ser levados em conta, afinal podem levar à morte. "De cinco mil
cirurgias houve 0,02% de casos de óbito", diz o médico. Todos os tipos de
cirurgias são reversíveis, mas o cirurgião Thomas Szegö alerta: "Nenhuma
delas é realizada para ser reversível, porque isso significa voltar a
engordar".
CONHEÇA
CADA UMA DAS TÉCNICAS
Banda gástrica ajustável (Restritiva)
Trata-se de uma técnica restritiva, ou seja, que limita a quantidade de
alimento que o estômago pode receber de cada vez. Segundo o cirurgião
Arthur Garrido Júnior
é colocado uma prótese de silicone com material inflável (como uma câmara
de pneu) na porção superior do estômago formando um anel de constrição que
pode ser ajustado externamente. Esta prótese é conectada a um pequeno
reservatório de metal e plástico localizado sob a pele e facilmente
alcançado por uma fina agulha por onde se injeta água destilada e desta
forma obtém-se o controle da passagem do alimento. O procedimento é feito
por via laparoscópica, com anestesia geral e o tempo médio de cirurgia é
de 1 hora . O ajuste da banda é feito ambulatorialmente.
"Desta maneira, obtém-se a chamada "saciedade precoce", ou seja, o
paciente fica satisfeito com uma quantidade menor de comida", afirma o
cirurgião Thomas Szegö.
Indicações: Pacientes obesos mórbidos.
Contra-indicação: Compulsivos por doces, dependência de drogas e
álcool, cirrose hepática.
Riscos: Deslizamento da banda, migração, rejeição da prótese,
infeção.
Resultado: perda de 20% do peso total em média.
Internação hospitalar: 24 horas.
Dieta: Líquida 30 dias.
Acompanhamento: Ajuste periódico da banda; orientação nutricional e
atividade física.
Derivações Gástricas (Tipo Capella)
Essa é uma técnica mista que associa restrição e malabsorção.
"Grampeadores são utilizados para cortar e separar o estômago em dois. O
estômago maior fica excluído e, consequentemente, fora do trânsito dos
alimentos. O estômago remanescente tem capacidade de cerca de 20 ml e é
ligado a um segmento do intestino delgado", explica Thomas. A cirurgia
limita o volume ingerido com a ajuda de um anel de silicone colocado em
volta do "novo" estômago.
Segundo Garrido esse é o método mais eficaz e mais utilizado no mundo.
"O procedimento pode ser por via laparoscópica (realizada através da
introdução de pinças especiais no abdome por 6 pequenos cortes), com
duração aproximada de 2 horas e meia; ou através de uma incisão abdominal
(entre 10 e 18 cm, iniciando no final do osso esterno em direção ao
umbigo), com duração aproximada de 2 horas e meia", diz Garrido. Essa
cirurgia é importante para pessoas que comem muitos alimentos como leite
condensado, chocolate e outros doces, pois, como eles não ocupam muito
lugar no estômago, o paciente operado pode continuar a ingeri-los
normalmente e com a diminuição do intestino, as calorias desses alimentos
serão menos absorvidas.
Indicação: pacientes obesos mórbidos, corporal acima de 40 kgs/m2 ou
entre 35 e 40 kgs/m2 com doenças associadas
Contra-indicação: dependência de drogas e álcool e cirrose.
Resultado: perda de 40% do peso total em média.
Riscos: fístulas, embolia pulmonar, infeção ou vazamentos.
Internação hospitalar: 72 horas.
Dieta: líquida 30 dias.
Acompanhamento: consultas periódicas.
Malabsortivas
"Essa cirurgia diminui a capacidade de absorção do intestino, com a
exclusão de uma parte do intestino por onde passam os alimentos", afirma
Thomas. Existem duas técnicas, a mais comum é a Scopinaro: "Nelas
retira-se parte do estômago, mais da metade, mas é feito um desvio no
intestino que provoca uma maior má absorção. Podem ser realizadas por via
laparoscópica (realizada através da introdução de pinças especiais no
abdome por 6 pequenos cortes); ou através de uma incisão abdominal (entre
10 e 18 cm, iniciando no final do osso esterno em direção ao umbigo), com
duração aproximada de 3 horas", explica Garrido.
Indicação: Pacientes obesos mórbidos com Superobesidade, ou seja, com
IMC acima de 50.
Contra-indicação: Evacuações diarréicas freqüentes.
Resultado: perda de 40% do peso total em média.
Riscos: Desnutrição, diarréias, flatulência.
Internação hospitalar: 96 horas.
Dieta: Líquida 15 dias.
Acompanhamento: consultas mensais e exames regulares.
LINK
ORIGINAL:
http://claudia.abril.com.br/aberto/ch03/gastroplastia.html
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