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Matéria da Revista Cláudia de Novembro de 2004

Saiba tudo sobre a cirurgia do estômago

Quando uma pessoa se submete à gastroplastia, a redução do órgão é drástica. Com menos espaço para acomodar os alimentos, é possível diminuir até 40% do peso corporal da pessoa. O número é de encher os olhos de qualquer pessoa que passa a vida lutando contra a balança e experimentando infinitos regimes de fome - que normalmente só servem para detonar o corpo (graças ao efeito sanfona), o estado emocional e principalmente a saúde.
Antes que esse tipo de cirurgia desperte o interesse até mesmo nas mulheres que usam manequim 48, mas sonham com o 42, o cirurgião Thomas Szegö, de São Paulo, responsável pela cirurgia da personagem da nossa matéria, Sueli Rocabado, alerta: "Qualquer das técnicas utilizadas (atualmente são três: Restritiva, Malabsortiva e tipo Capella), são indicadas somente para quem apresenta obesidade mórbida, ou seja, cujo índice de massa corpórea (IMC) for igual ou superior a 40 e que já tenha tentado outros tratamentos clínicos, com acompanhamento médico, sem resultados eficazes. A cirurgia também é compatível para pessoas que apresentam IMC acima de 35 associado a doenças decorrentes do excesso de peso. "Assim como todo o tipo de cirurgia, a redução do estômago envolve riscos. Os mais comuns são as complicações respiratórias ou circulatórias provocadas pela anestesia geral, a possibilidade de algum vazamento de secreções digestivas e a má cicatrização de algum ponto", diz o cirurgião Arthur Garrido Júnior, presidente da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e um dos primeiros a fazer esse tipo de operação no Brasil. Segundo o especialista, mesmo os riscos sendo pequenos (as complicações que prolongam o tempo de internação são apenas 1% dos casos), eles precisam ser levados em conta, afinal podem levar à morte. "De cinco mil cirurgias houve 0,02% de casos de óbito", diz o médico. Todos os tipos de cirurgias são reversíveis, mas o cirurgião Thomas Szegö alerta: "Nenhuma delas é realizada para ser reversível, porque isso significa voltar a engordar".

CONHEÇA CADA UMA DAS TÉCNICAS


Banda gástrica ajustável (Restritiva)
Trata-se de uma técnica restritiva, ou seja, que limita a quantidade de alimento que o estômago pode receber de cada vez. Segundo o cirurgião Arthur Garrido Júnior
é colocado uma prótese de silicone com material inflável (como uma câmara de pneu) na porção superior do estômago formando um anel de constrição que pode ser ajustado externamente. Esta prótese é conectada a um pequeno reservatório de metal e plástico localizado sob a pele e facilmente alcançado por uma fina agulha por onde se injeta água destilada e desta forma obtém-se o controle da passagem do alimento. O procedimento é feito por via laparoscópica, com anestesia geral e o tempo médio de cirurgia é de 1 hora . O ajuste da banda é feito ambulatorialmente.
"Desta maneira, obtém-se a chamada "saciedade precoce", ou seja, o paciente fica satisfeito com uma quantidade menor de comida", afirma o cirurgião Thomas Szegö.

Indicações: Pacientes obesos mórbidos.
Contra-indicação: Compulsivos por doces, dependência de drogas e álcool, cirrose hepática.
Riscos: Deslizamento da banda, migração, rejeição da prótese, infeção.
Resultado: perda de 20% do peso total em média.
Internação hospitalar: 24 horas.
Dieta: Líquida 30 dias.
Acompanhamento: Ajuste periódico da banda; orientação nutricional e atividade física.


Derivações Gástricas (Tipo Capella)
Essa é uma técnica mista que associa restrição e malabsorção. "Grampeadores são utilizados para cortar e separar o estômago em dois. O estômago maior fica excluído e, consequentemente, fora do trânsito dos alimentos. O estômago remanescente tem capacidade de cerca de 20 ml e é ligado a um segmento do intestino delgado", explica Thomas. A cirurgia limita o volume ingerido com a ajuda de um anel de silicone colocado em volta do "novo" estômago.
Segundo Garrido esse é o método mais eficaz e mais utilizado no mundo.
"O procedimento pode ser por via laparoscópica (realizada através da introdução de pinças especiais no abdome por 6 pequenos cortes), com duração aproximada de 2 horas e meia; ou através de uma incisão abdominal (entre 10 e 18 cm, iniciando no final do osso esterno em direção ao umbigo), com duração aproximada de 2 horas e meia", diz Garrido. Essa cirurgia é importante para pessoas que comem muitos alimentos como leite condensado, chocolate e outros doces, pois, como eles não ocupam muito lugar no estômago, o paciente operado pode continuar a ingeri-los normalmente e com a diminuição do intestino, as calorias desses alimentos serão menos absorvidas.

Indicação: pacientes obesos mórbidos, corporal acima de 40 kgs/m2 ou entre 35 e 40 kgs/m2 com doenças associadas
Contra-indicação: dependência de drogas e álcool e cirrose.
Resultado: perda de 40% do peso total em média.
Riscos: fístulas, embolia pulmonar, infeção ou vazamentos.
Internação hospitalar: 72 horas.
Dieta: líquida 30 dias.
Acompanhamento: consultas periódicas.

Malabsortivas
"Essa cirurgia diminui a capacidade de absorção do intestino, com a exclusão de uma parte do intestino por onde passam os alimentos", afirma Thomas. Existem duas técnicas, a mais comum é a Scopinaro: "Nelas retira-se parte do estômago, mais da metade, mas é feito um desvio no intestino que provoca uma maior má absorção. Podem ser realizadas por via laparoscópica (realizada através da introdução de pinças especiais no abdome por 6 pequenos cortes); ou através de uma incisão abdominal (entre 10 e 18 cm, iniciando no final do osso esterno em direção ao umbigo), com duração aproximada de 3 horas", explica Garrido.

Indicação: Pacientes obesos mórbidos com Superobesidade, ou seja, com IMC acima de 50.
Contra-indicação: Evacuações diarréicas freqüentes.
Resultado: perda de 40% do peso total em média.
Riscos: Desnutrição, diarréias, flatulência.
Internação hospitalar: 96 horas.
Dieta: Líquida 15 dias.
Acompanhamento: consultas mensais e exames regulares.

LINK ORIGINAL: http://claudia.abril.com.br/aberto/ch03/gastroplastia.html