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A revista "Journal
of the American Medical Association" (JAMA), que publica a análise,
trata esta semana da obesidade, um problema que afeta um número
crescente de pessoas em todos os países, segundo a Organização Mundial
da Saúde (OMS).
Segundo Philip James, presidente do Grupo Internacional de Trabalho
sobre a Obesidade, o número atual de 1,7 bilhão de obesos é "50% mais
alto que os cálculos anteriores e indica que a maioria dos governos
simplesmente ignora um dos maiores riscos para a saúde da população
mundial".
De acordo com a OMS, uma pessoa é definida como obesa quando tem um
índice de massa corporal igual ou superior a 30. Já alguém com entre
25 e 30 de índice de massa corporal é considerada dona de um excesso
de peso.
Por sua vez, a Organização Pan-americana de Saúde (OPS) põe a
obesidade na lista das doenças crônicas não transmissíveis, associada
a estilos de vida não saudáveis, e sustenta que é "uma doença crônica
e um fator reconhecido de risco de muitas outras doenças".
"A epidemia de obesidade explica os níveis crescentes de doenças não
transmissíveis, das quais haverá uma verdadeira explosão nos próximos
20 anos", segundo Arne Astrup, da Associação Internacional para o
Estudo da Obesidade, que reúne cerca de 10.000 médicos, cientistas e
profissionais da saúde de 44 países.
"É fundamental adotar um enfoque mais sério para o tratamento do
grande número de pessoas obesas, e também pôr em prática medidas para
evitar que o problema se agrave", acrescentou Astrup.
Embora haja a influência de fatores genéticos na obesidade, a maioria
dos especialistas concorda que a alimentação e a prática de atividades
físicas são fatores maiores que deveriam ser considerados para a
prevenção e o tratamento da doença.
O artigo da JAMA, patrocinado pela empresa Ethicon Endo-Surgery, uma
filial da multinacional Johnson and Johnson que se dedica à venda de
produtos para cirurgias, resume uma análise de 136 estudos publicados
entre 1990 e 2003 que incluem 22.094 pacientes submetidos diferentes
tipos de cirurgia bariátrica, como a de redução do estômago.
Em todos esses estudos, 19% dos pacientes eram homens e 72,7% mulheres
com idade média de 39 anos. O índice médio de massa corporal de 16.944
pacientes era de 46,9 antes da intervenção cirúrgica.
Os pesquisadores observaram o impacto da cirurgia bariátrica sobre a
perda de peso, a morte como resultado da operação e quatro transtornos
relacionados à obesidade: diabetes, hiperlipidemia, hipertensão e
apnéia obstrutiva durante o sono.
Em sua análise, os pesquisadores observaram que a perda média de
excesso de peso foi de 61,2% para todos os pacientes, com 70,1% para
os que foram submetidos a uma operação bilio-pancréatica ("costura"
duodenal) e 61% para os submetidos a uma gastroplastia.
A morte em conseqüência da cirurgia até 30 dias após a operação foi de
0,1% para os procedimentos simplesmente restritivos ("banda" gástrica
e gastroplastia), de 0,5% para os de derivação gástrica e de 1,1% para
os de "costura" duodenal.
O diabetes foi completamente tratado em 76,8% dos casos e desapareceu
ou melhorou em 86%.
A hiperlidemia, isto é, níveis elevados de colesterol e triglicerídeos
no sangue, melhorou em 79% ou mais dos pacientes.
Segundo a análise dos estudos, a hipertensão foi resolvida em 61,7%
dos casos, e a apnéia obstrutiva durante o sono desapareceu ou
melhorou em 83,6% dos pacientes. |