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Recebi
pela manhã o telefonema que tanto esperava. Foi no dia 22 de janeiro de
2006. Como eu esperei por esse momento, quantos exames, quantas
consultas, uma equipe multidisciplinar excelente que muito me ajudou em
todo o processo Pré e Pós - operatório. Durante todo o tratamento, foi
trabalhada uma questão, que eu chamava de organização, mas ao final sei
que é Controle. Sou extremamente controladora, isso foi muito trabalhado
durante as consultas com a Psicóloga Daniele. Muito me ajudou, mas sei
que faz parte da minha personalidade, e isso me prejudica muito, me faz
sofrer... Quando algo me "foge" do controle, me desequilibra por
completo. Liguei para os meus pais, e eles vieram para me levar para o
hospital.
No hospital, o Drº Paulo Grippa me pesou,
eu estava " vestida", com 138 quilos, tenho 1.74 de altura. Todo o
controle ainda estava em minhas mãos....Uma ditadora, infelizmente, é
isso. Passando todo o cronograma de minha filha Amanda, sobre a
Matrícula no colégio, sobre os horários dela, tudo. Mesmo no hospital,
os objetos do quarto, eu controlava. Onde ficaria a poltrona, onde
ficaria o aparelho de MP3, o ventilador, a televisão. Ahh, e a cama para
os obesos, onde estava? eu havia visto quando cheguei...
Nesse mesmo dia, fui encaminhada para a
UTI. O Dr. Wilson, iria fazer a Flebotomia (deixar preparado uma veia
no pescoço, onde seria usado para a cirurgia) . O Dr. depois de muitas
tentativas, teve que mudar o lugar. A gordura não deixava pegar a veia,
e o sofrimento foi muito grande. " Eu pensei .....minha nossa.......sem
controle.....que Provação!
Dormi
na UTI. Fui muito bem atendida por toda a equipe. Observa um rapaz do
meu lado na UTI, hoje nos encontramos e somos amigos. (ele teve a perna
amputada, e perdeu o pai, mas ainda não sabia - Cabeça é tudo, hoje o
encontro feliz, buscando por soluções, pela prótese).
Dia 23 de Janeiro, estava preparada, era
meu renascimento! Eu estava muito feliz. Fui para a Sala de cirurgia,
muito feliz, sorrindo. (Nem a camisola do hospital, me servia), fui
somente de lençol.
No Centro Cirúrgico todos já me
esperavam. O Anestesista me orientando sobre tudo que fora passar. Eu
sentada, e a (“peridural” ou Raque, era uma para amenizar as dores da
coluna)<< o anestesista não conseguia, e eu gritava de dores......eu
pedi para deitar, pois estava sentindo tonturas. Colocaram-me em outra
posição, e mesmo assim não conseguiram. Só fiquei sabendo que não
conseguiram depois da cirurgia. Fui para UTI( não tenho idéia de quantas
horas), eu quando acordei ainda estava entubada. Os enfermeiros, a
Fisioterapeuta, que me atendeu durante todo o processo pré , estava lá.
Eu pedia com os olhos, suplicava para tirar aquilo, eu estava amarrada.
Por incrível que pareça, eles me
entendiam....e me respondiam. Aspiravam-me e colocavam o meu rosto
lateral para sair todo o liquido que havia dentro...O Controle sempre
sendo testado!.....Eu já não o possuía mais... Fiquei 4 dias na UTI, e
pedi para não sair, pois o tratamento era muito especial. Mas sem
controle, fui para a Ala B. Eu estava "sozinha", hoje sei que foi a
melhor maneira, e que era forte para isso. Seria uma judiação, sujeitar
a família, a todo aquele controle que eu pensava ter.
Fui
muito bem tratada, e agradeço a todos os profissionais que me ajudaram
que tiveram paciência comigo. Eu “escolhia" o enfermeiro para pulsar a
veia, pois era muito difícil, e alguns demoravam mais ou eu achava que
demorava.
No Hospital, algumas vezes, eu ficava
brava com os horários das medicações, eu sabia quando, acordada, todos
os horários, e ficava muito irritada com a demora. A equipe fazia o que
podia, a falta de estrutura ( funcionários), era muito grande. Uma Ala
toda, com pessoas gritando, chamando os enfermeiros...eram 3
enfermeiros. Anjos da Terra!...
Saí dia 29, uma semana. Tentava manter o
controle sobre tudo. Sobre os horários de minha filha, com a escola,
horários de estudo. Esse controle me faz muito mal, e estou em
tratamento. Uma equipe de Psiquiatra, e psicólogos me ajudam
semanalmente. Não esta sendo fácil. Estou tentando me livrar disso...Que
tortura, pode acreditar!
Na casa de meus pais, tudo estava
"preparado", como sabiam. Eu estava feliz, mas muito irritada. Se algo
passava e eu não tinha como fazer, e a falta de paciência com as
pessoas... me prejudicaram muito. Eu saia de onde estava para controlar
as coisas que já estavam preparadas.
As
rotinas normais foram feitas. Todas as semanas necessitava fazer um
exame, uma tomografia, onde tomava um contraste. Os médicos observaram
uma "sombra" no lugar na sonda, levei com ela até o dia 06 de março,
quando passei por uma laparotomia exploradora. No dia 17 de fevereiro,
Carnaval, fui para o hospital com muitas dores. Eu vomitava muito, e a
dor era enorme no abdômen, mas especificamente, no lugar da Sonda.
Receber a noticia, que teria que operar,
mesmo sendo um procedimento simples, era algo que não esperava. Outra
vez! Hospital... Abrir minha barriga outra vez... Minha cicatriz estava
linda! e o Controle???? Tudo tinha ido para o espaço, me entreguei.
Removeram a Sonda na cirurgia, e graças à
Deus, não sai entubada como a outra. O meu emocional não estava bem, eu
estava muito triste. Por que sabia que tinha feito tudo Certo, o que
ocorreu para isso?...Há coisas, que fogem de nosso controle, e até mesmo
do controle dos profissionais. No hospital, tantas pessoas voluntárias,
vinham rezar, faziam leituras de livros infantis, tantas ajudas...Isso
me ajudava bastante, e me deixava feliz. Fiquei hospitalizada durante 5
dias.
Passei
por vários exames, e tudo estava se normalizando. O que ocorreu foi que
meu intestino, que já não funcionava bem ( sempre), não funcionava mais.
Tomei todas as medicações que foram ministradas, nada funcionava. Eu
muitas vezes precisava fazer lavagem Hospitalar.
Mesmo com todo o preparo pré operatório,
lidar com a cabeça é algo muito difícil. O Corpo muda mais rápido que a
mente, e a compulsão existe. Coloca-me em crise muitas vezes, e por
conta disso, minhas medicações foram sendo alteradas, conforme os
relatos que passava. Eu estou fazendo hidroginástica, me sinto bonita, e
já estou “conseguindo” me ver no espelho, antes entrava no banheiro e
virava o espelhinho para a parede...
Com todo o preparo, e sei que fui muito
bem preparada, pois o processo não é fácil. Mas há a personalidade
controladora, ansiosa... que como disse esta sendo trabalhada. Fico
muito brava e irritada com os que estão perto. E dentro de mim, é uma
luta constante, vozes tentando ( no meu inconsciente), me dizer....faça
isso, ou não faça isso....Como duas pessoas dentro de mim mesma. Muitas
vezes, escuto a outra Tânia, a antiga, e ajo por impulso. Depois vem o
sentimento de culpa.
Hoje é dia 25 de agosto de 2007, e estou
pesando 88 quilos. Fiquei muito feliz, com os cálculos do Dr. Grippa,
dizendo que sai da obesidade mórbida....da obesidade....e estou no
sobrepeso. Fui abençoada, e tive muita ajuda. Hoje, consigo ver tudo
isso. Agradeço toda a Equipe, a minha família por toda a paciência, a
enfermeira Maria Helena, que vinha fazer meus curativos todas as manhãs
e aplicar as injeções.
Eu faria tudo novamente, tentaria aceitar
minhas limitações, controlar a ansiedade...esse controleeeeeee...!!
Estou
com auto-estima, coloco roupas que antes não me serviam...colocar roupas
de mais de 10 anos atrás, é muito bom! Comprar roupas novas, melhor
ainda.....
Eu não sei o tamanho exato que estou, e
muitas vezes, quando experimento uma roupa, ela esta grande.
Agradeço a espiritualidade que me
acompanhou.
Obrigada, meu querido Irmão, eu te amo
muito. Obrigada pela paciência, quando eu chorava desesperada, quando
queria tomar água...obrigada pelo apoio ....Obrigada, minha filhinha,
que tanto me suportou, e me suporta quando estou "surtada" com vontade
de comer.....e sem fome......e não sei o que fazer....
MEUS ESPECIAIS
AGRADECIMENTOS:
Agradeço a Gisele,
onde eu pude contar em todos os momentos, todas quintas feiras, tantos
dias tristes , irritada. Os exames, as consultas, a paciência. Sempre
esteve ao meu lado. Obrigada, querida Gisele.
Agradeço ao
meu Noivo Luis, que me deu muita força em todos os momentos. Me
telefonava todos os dias da Espanha para saber como eu me encontrava
e sempre com palavras de carinho, otimismo. Obrigada, por todos os
momentos que chorava e você me confortava. Muito obrigada, Luis, Te
amo muito .
"Cielo, muchas
gracias por todo, gracias por estar conmigo, gracias por los
momentos dificiles donde siempre pude tenerte a mi lado. Te quiero
mucho!!! muchas gracias, mi cielito español. Te amo, su brasileña.......capulla......Tânia."
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